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A MAIS NOVA LEITURA DRAMÁTICA DA COMPANHIA SILENCIOSA!
estruendo de Léo Glück
A história da Inglaterra, como a de tantas outras terras, é um terreno intrincado de história e lenda. A história do mundo, como cartas sem poesia, como flores sem perfume e pensamentos sem imaginação, seria algo muito seco sem suas lendas; e muitas delas, embora descartadas cem vezes pelas provas, merecem ficar pelo que são.
Atenção: Este espetáculo é uma obra de mentalidade enferma.
Dia> 03 de junho de 2007.
Hora> 19.00.
Local> SESC Água Verde.
Endereço> Av. República Argentina, 944.
E-mail> aguaverde@sescpr.com.br Fone: (41) 3342-7577.
Info>(41)99959198/(41)84088805
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A ARMA BRANCA DA SAPIÊNCIA. Guilhotina, Gerúndio e nós: cabeças rolantes.

Por Henrique Saidel.
Cabeças cortadas. Pernas cortadas. Braços cortados. Pensamentos cortados. Almas cortadas. Sangue, esperma, saliva, humores, clara e gema. A lâmina desce, irrefreável e irretocável, e perpetra a carnificina. Pedaços humanos são destrinchados e distribuídos deliciosamente entre todos. Ali, sentado, num falso repouso, um homem, um corpo estranho apoiado na estática mesa. É Hans Silva (Bacharel em Semiótica Analítica pela USP, com especialização na Oxford University em Análise de Níveis de Consciência, Doutor pela UNICAMP em Sociologia Complexa Simbiótica, com especialização em Metanálise do Conhecimento), o carrasco/vítima que lecionará e dançará para nós. O cadafalso está preparado.
Guilhotina não é arma de destruição em massa. Guilhotina é arma de destruição individual. Um por um. Guilhotina é espetáculo, praça pública, multidão de curiosos, cabeça do cesto, corpo esfastelado. Um corpo e uma cabeça diante da multidão, espetáculo da morte, da aniquilação, da crueza e da beleza da morte. A lâmina separa o corpo da cabeça, que ainda tem alguns segundos de consciência – preciosos instantes de epifania. Seria guilhotina uma arma branca?
Não estamos diante de um simples espetáculo de teatro, dentro da programação de um festival qualquer, apresentado em uma sala de aula qualquer. Sequer estamos diante de algo. Estamos sim inseridos e absorvidos em uma situação, em um acontecimento artístico único e inapelável. O ator/professor/xamã Maikon Kempinski (Maikon K) transmuta-se em Hans Silva, e nós, espectadores/alunos/fiéis, também fazemos parte do espetáculo. Espetáculo da crueza e da beleza da morte.
O que se passa dentro do auditório/sala de aula da Reitoria da UFPR em pouco mais de uma hora é uma seqüência hermética de cenas em que o mestre em sociologia – ciência da ilusão, arqueologia do câncer – e em outras tantas ciências apresenta e vivencia sua concepção de mundo. Concepção que trai a si mesma, que cria seus próprios monstros, seu próprio colapso. A trajetória cíclica do nascimento à morte, da ignorância à ilustração, do desgosto ao prazer. Extremos que se tocam e se fundem – a morte é o nascimento, a ilustração é a ignorância, o prazer é o desgosto.
Além dos textos, complexos, recheados de críticas irônicas ao academicismo cartesiano limitado, a dramaturgia verbal/sonora é composta por cantos (hinos) entoados à capela pelo ator. E o que num primeiro momento poderia soar forçado, canastrão (tanto numa tentativa virtuosística, quanto numa relação pseudo-ritualística), impõe-se como força pulsional, deflagradora e potencializadora de conflitos e sensações. A música brota da garganta e do peito monstruosos de Maikon e ressoa violenta na pele e nos sentidos de todos que ouvem. A invocação xamânica de seres e elementos transcendentes é confrontada com tiradas irônicas implacáveis – estrutura que dá força à dramaturgia.
Os elementos de cena são econômicos, porém contundentes. Uma grande e pesada mesa de madeira, que, ao mesmo tempo em que serve de apoio/barreira/proteção, é manipulada e sacudida vorazmente durante toda a peça. Um cesto de lixo vermelho, comum, extremamente comum, que aparece despretensioso num canto da sala, mas que carrega em si objetos e significações nada sutis. Uma tela de projeção que desce e sobe eletronicamente, suavemente, marcando uma ruptura trágica e debochada no plano físico e real da performance. Um retro-projetor, onde o professor Silva desenha uma pueril e sádica paisagem. Um quadro negro onde são escritas e apagadas mensagens de variáveis sentidos. Aqui, todos os elementos são os de uso estrito da persona Hans Silva – opção que dialoga muito bem com o aparente barroquismo do roteiro.
A construção (e manutenção) corporal também é item de grande destaque na montagem. O corpo é vivo, respirante e transpirante, enraizado no presente. Um corpo sem passado e sem futuro, um corpo real. A partitura apresentada é precisa, rica em detalhes, ela acompanha e pensa o texto falado. Elemento dramatizante, o trabalho corporal amarra os textos, músicas e manifestos ao universo do teatro – universo da ação, da presentificação. A dança de um corpo que se coloca como mais um signo (ou seria símbolo?) do espetáculo. Multi-paisagem de sentidos.
O ator coloca-se, então, como regente máximo (não necessariamente plenipotente: ele também está sujeito às intempéries) desse hiper-fluxo de melodias, imagens, palavras e contextos. E eis que vemos surgir diante de nós um ser imenso, irresistível, absoluto em sua energia criativa, incitante e efusivo – o ser Hans, o ser Maikon. Ator com clara e consistente pesquisa, juntamente com o grupo Gerúndio, Maikon K é um caso raro (infelizmente) de ator que não se vê apenas como ator, mas como artista, e que conduz ele próprio sua trajetória e suas investigações, sempre se aprofundando, sempre se enriquecendo. Em um deserto árido povoado por atores e atrizes dóceis, que aguardam ingênua e perversamente o convite ou a iniciativa de algum diretor/produtor, que se submetem cega e confortavelmente às vontades do tal diretor/produtor (em uma, de fato, sub-espécie de prostituição), encontrar performers como Maikon K é re-encontrar a esperança na arte, no fazer teatral, no ofício quase heróico do ator. Um ator que assume o seu papel de criador, de pesquisador, e, principalmente, de indivíduo pleno de potencialidades e vitalidade.
Guilhotina é, portanto, avessa a descrições elementares, frias. Guilhotina é espetáculo grávido, como todo espetáculo deve ser. E como tal, exige e se aproveita tacitamente da fertilidade do próprio público. O sêmem e os óvulos gerados e expelidos por Guilhotina fecundam-se no ventre úmido do espectador, que sai da sala de aula também grávido, prenhe de vida, prenhe de morte, prenhe de arte. Só nos resta gestar essa criança, esse ser misterioso e aquoso que agora habita nosso organismo. Para que um dia, quem sabe logo após o parto, destrinchemos a sua carne macia e distribuamos deliciosamente entre todos.
Cabeças cortadas. Pernas cortadas. Braços cortados. Pensamentos cortados. Almas cortadas. Sangue, esperma, saliva, humores, clara e gema. A lâmina desce, irrefreável e irretocável, e perpetra a carnificina. Pedaços humanos são destrinchados e distribuídos deliciosamente entre todos. Ali, sentado, num falso repouso, um homem, um corpo estranho apoiado na estática mesa. É Hans Silva (Bacharel em Semiótica Analítica pela USP, com especialização na Oxford University em Análise de Níveis de Consciência, Doutor pela UNICAMP em Sociologia Complexa Simbiótica, com especialização em Metanálise do Conhecimento), o carrasco/vítima que lecionará e dançará para nós. O cadafalso está preparado.
Guilhotina não é arma de destruição em massa. Guilhotina é arma de destruição individual. Um por um. Guilhotina é espetáculo, praça pública, multidão de curiosos, cabeça do cesto, corpo esfastelado. Um corpo e uma cabeça diante da multidão, espetáculo da morte, da aniquilação, da crueza e da beleza da morte. A lâmina separa o corpo da cabeça, que ainda tem alguns segundos de consciência – preciosos instantes de epifania. Seria guilhotina uma arma branca?
Não estamos diante de um simples espetáculo de teatro, dentro da programação de um festival qualquer, apresentado em uma sala de aula qualquer. Sequer estamos diante de algo. Estamos sim inseridos e absorvidos em uma situação, em um acontecimento artístico único e inapelável. O ator/professor/xamã Maikon Kempinski (Maikon K) transmuta-se em Hans Silva, e nós, espectadores/alunos/fiéis, também fazemos parte do espetáculo. Espetáculo da crueza e da beleza da morte.
O que se passa dentro do auditório/sala de aula da Reitoria da UFPR em pouco mais de uma hora é uma seqüência hermética de cenas em que o mestre em sociologia – ciência da ilusão, arqueologia do câncer – e em outras tantas ciências apresenta e vivencia sua concepção de mundo. Concepção que trai a si mesma, que cria seus próprios monstros, seu próprio colapso. A trajetória cíclica do nascimento à morte, da ignorância à ilustração, do desgosto ao prazer. Extremos que se tocam e se fundem – a morte é o nascimento, a ilustração é a ignorância, o prazer é o desgosto.
Além dos textos, complexos, recheados de críticas irônicas ao academicismo cartesiano limitado, a dramaturgia verbal/sonora é composta por cantos (hinos) entoados à capela pelo ator. E o que num primeiro momento poderia soar forçado, canastrão (tanto numa tentativa virtuosística, quanto numa relação pseudo-ritualística), impõe-se como força pulsional, deflagradora e potencializadora de conflitos e sensações. A música brota da garganta e do peito monstruosos de Maikon e ressoa violenta na pele e nos sentidos de todos que ouvem. A invocação xamânica de seres e elementos transcendentes é confrontada com tiradas irônicas implacáveis – estrutura que dá força à dramaturgia.
Os elementos de cena são econômicos, porém contundentes. Uma grande e pesada mesa de madeira, que, ao mesmo tempo em que serve de apoio/barreira/proteção, é manipulada e sacudida vorazmente durante toda a peça. Um cesto de lixo vermelho, comum, extremamente comum, que aparece despretensioso num canto da sala, mas que carrega em si objetos e significações nada sutis. Uma tela de projeção que desce e sobe eletronicamente, suavemente, marcando uma ruptura trágica e debochada no plano físico e real da performance. Um retro-projetor, onde o professor Silva desenha uma pueril e sádica paisagem. Um quadro negro onde são escritas e apagadas mensagens de variáveis sentidos. Aqui, todos os elementos são os de uso estrito da persona Hans Silva – opção que dialoga muito bem com o aparente barroquismo do roteiro.
A construção (e manutenção) corporal também é item de grande destaque na montagem. O corpo é vivo, respirante e transpirante, enraizado no presente. Um corpo sem passado e sem futuro, um corpo real. A partitura apresentada é precisa, rica em detalhes, ela acompanha e pensa o texto falado. Elemento dramatizante, o trabalho corporal amarra os textos, músicas e manifestos ao universo do teatro – universo da ação, da presentificação. A dança de um corpo que se coloca como mais um signo (ou seria símbolo?) do espetáculo. Multi-paisagem de sentidos.
O ator coloca-se, então, como regente máximo (não necessariamente plenipotente: ele também está sujeito às intempéries) desse hiper-fluxo de melodias, imagens, palavras e contextos. E eis que vemos surgir diante de nós um ser imenso, irresistível, absoluto em sua energia criativa, incitante e efusivo – o ser Hans, o ser Maikon. Ator com clara e consistente pesquisa, juntamente com o grupo Gerúndio, Maikon K é um caso raro (infelizmente) de ator que não se vê apenas como ator, mas como artista, e que conduz ele próprio sua trajetória e suas investigações, sempre se aprofundando, sempre se enriquecendo. Em um deserto árido povoado por atores e atrizes dóceis, que aguardam ingênua e perversamente o convite ou a iniciativa de algum diretor/produtor, que se submetem cega e confortavelmente às vontades do tal diretor/produtor (em uma, de fato, sub-espécie de prostituição), encontrar performers como Maikon K é re-encontrar a esperança na arte, no fazer teatral, no ofício quase heróico do ator. Um ator que assume o seu papel de criador, de pesquisador, e, principalmente, de indivíduo pleno de potencialidades e vitalidade.
Guilhotina é, portanto, avessa a descrições elementares, frias. Guilhotina é espetáculo grávido, como todo espetáculo deve ser. E como tal, exige e se aproveita tacitamente da fertilidade do próprio público. O sêmem e os óvulos gerados e expelidos por Guilhotina fecundam-se no ventre úmido do espectador, que sai da sala de aula também grávido, prenhe de vida, prenhe de morte, prenhe de arte. Só nos resta gestar essa criança, esse ser misterioso e aquoso que agora habita nosso organismo. Para que um dia, quem sabe logo após o parto, destrinchemos a sua carne macia e distribuamos deliciosamente entre todos.
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MECÂNICA MECÂNICA MECÂNICA MECÂNICA MECÂNICA MECÂNICA
do tropical ao radical
As aparências transmitidas pelos sentidos são falsas.
Serviço:
23/03/2007 às 18hs.;
24/03/2007 às 23:59hs.;
25/03/2007 às 23:59hs.;
26/03/2007 às 18hs.;
28/03/2007 às 18hs.;
29/03/2007 às 21hs.;
31/03/2007 às 21hs.;
01/04/2007 às 18hs.
01/04/2007 às 18hs.
+Plus+ Leitura Dramática de Jesus Vem De Hannover, de Léo Glück.
Dia 28/03/2007 às 14:30hs.
Dia 28/03/2007 às 14:30hs.
TEUNI - Teatro Experimental da UFPR
Praça Santos Andrade - Centro
Fone: (41) 3310-2736.
Praça Santos Andrade - Centro
Fone: (41) 3310-2736.
Mais informações em
(41)84088805
http://www.leoglucksmildness.blogspot.com
http://www.leoglucksmildness.blogspot.com
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Ela está chegando...

O espetáculo Mecânica leva o público a uma festa sonora e musical: cores, luzes, música e elenco compõem esta comédia irônica em um ato.
Em Mecânica, os atores utilizam utensílios e alimentos reais que preparam ao vivo, como num programa de culinária. A cena é construída a partir do uso de objetos eletroeletrônicos, tais como: um liquidificador, uma faca elétrica, um ventilador, uma vitrola, um secador de cabelo e até mesmo uma enceradeira. Tudo construindo o clima mágico da televisão, no qual os objetos ganham um vigor inusitado.
A dramaturgia é construída a partir da pesquisa do tema mecânica, fazendo um interessante agrupamento de matérias e comerciais de revistas de informação e entretenimento das décadas de 50 e 60, utilizando a ironia e o humor como meios sedutores de comunicação com o público. As imagens são abundantes, apostando no deleite de sensações suscitadas. AGUARDEM!!!!!
Mecânica participou da II Mostra Cena Breve Curitiba, em novembro de 2006, no Teatro da Caixa. Nesta ocasião, foi considerada pelos debatedores convidados (Marcio Abreu – Cia Brasileira de Teatro, Fátima Ortiz – Pé no Palco, Solange Dias – Unicamp, e Marcio Sandy – representante do público) umas das melhores cenas apresentadas durante a mostra.
Em Mecânica, os atores utilizam utensílios e alimentos reais que preparam ao vivo, como num programa de culinária. A cena é construída a partir do uso de objetos eletroeletrônicos, tais como: um liquidificador, uma faca elétrica, um ventilador, uma vitrola, um secador de cabelo e até mesmo uma enceradeira. Tudo construindo o clima mágico da televisão, no qual os objetos ganham um vigor inusitado.
A dramaturgia é construída a partir da pesquisa do tema mecânica, fazendo um interessante agrupamento de matérias e comerciais de revistas de informação e entretenimento das décadas de 50 e 60, utilizando a ironia e o humor como meios sedutores de comunicação com o público. As imagens são abundantes, apostando no deleite de sensações suscitadas. AGUARDEM!!!!!
Mecânica participou da II Mostra Cena Breve Curitiba, em novembro de 2006, no Teatro da Caixa. Nesta ocasião, foi considerada pelos debatedores convidados (Marcio Abreu – Cia Brasileira de Teatro, Fátima Ortiz – Pé no Palco, Solange Dias – Unicamp, e Marcio Sandy – representante do público) umas das melhores cenas apresentadas durante a mostra.
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Festival de Teatro 01

Quatro grupos de Curitiba, em um único espaço, que apresentam em comum o comprometimento com a pesquisa e com a busca pela nova dramaturgia.
Em cena espetáculos e leituras dramáticas com Pausa Companhia (Menos Emergências), A Armadilha (Os Leões), Companhia Silenciosa (Mecânica) e Companhia Provisória (Após Ser Jogado no Rio e Antes de Me Afogar).
Em cena espetáculos e leituras dramáticas com Pausa Companhia (Menos Emergências), A Armadilha (Os Leões), Companhia Silenciosa (Mecânica) e Companhia Provisória (Após Ser Jogado no Rio e Antes de Me Afogar).
Local: TEUNI (Prédio Histórico da UFPR, Praça Santos Andrade)
Datas: de 22 de março a 01 de abril
Horários: 18h, 21h e 23h59
Ingressos: R$14 e R$7
As leituras dramáticas têm entrada gratuita.
Para maiores informações: 8408-8805 / 8426-5828 / 3223-5586
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mecânica: aguardem...

Onde vê-se a pele leia-se a necessidade do reparo. O verbo sem anestesia, a amoniacal harmonia do movimento. Todos os chicotes sem capataz, o mito está estabelecido. A mulher entreaberta, na fresta o olho espião. A conexão dos corpos, a atração dos ferros. Mecânica é a catapulta do amor.
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pesquisa complementar
para o projeto do espetáculo
parasitas
(para a faculdade de artes do paraná)
*Os textos utilizados no programa
do espetáculo foram daqui extraídos
por henrique saidel
KITSCH
O Kitsch pode ser definido como a arte popular com um apelo sentimental e sem grandes pretensões artísticas, além de estar relegado a um período específico do tempo.
O Kitsch não é simplesmente mau gosto, mas possui a habilidade sedutora em atrair e repulsar ao mesmo tempo.
MASP, 2001
*
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para o projeto do espetáculo
parasitas
(para a faculdade de artes do paraná)
*Os textos utilizados no programa
do espetáculo foram daqui extraídos
por henrique saidel
INTRODUÇÃO
Dando continuidade ao processo de pesquisa, conceituação e ambientação teórica do projeto de montagem de Parasitas, decidi procurar alguns verbetes-chave para o tal.
A conceituação dos verbetes a seguir é etapa de um esforço maior em torná-los vivos e enraizados (enraizadores) em todas as decisões e procedimentos adotados pela direção, pelo elenco e pela equipe técnica do espetáculo ao longo da sua efetivação. São termos relativamente genéricos, e o presente trabalho procura não esgotar essa “generalidade”, e sim multifacetá-la e verticalizá-la.
Os termos definidos são: ARTIFICIAL, NADA, SIMULACRO, KITSCH, PARASITISMO, SIMULTANEIDADE e GESTALT.
Eles se reportam e se aplicam tanto à análise (dinâmica) dramatúrgica quanto à construção da cena teatral além-texto.
A estrutura adotada é a da citação. Em cada verbete, diversas citações de diversos autores compõem uma rede de idéias nem sempre confluentes. A divergência também faz parte do método.
ARTIFICIAL
Natural é aquilo que lhe foi dado como uma dádiva — uma dádiva do todo. O artificial é aquilo que você criou — por ensinamentos, escrituras, caráter, moralidade. O artificial é aquilo que você impôs sobre o natural, o dado. O natural é de Deus, o artificial é de você mesmo. Tire tudo que você impôs sobre você mesmo, e Deus explodirá em mil flores em seu ser.
Sim, o esforço para ser natural sempre é artificial. Mas entender a artificialidade não é o esforço para ser natural; é simplesmente entender. Ao perceber que você esteve tentando tirar óleo da areia, quando você percebe a inutilidade disso, você abandona todo o projeto. Ao perceber que você estava tentando atravessar uma parede e machucou sua cabeça, ao perceber isso, você pára de tentar. Você começa a procurar pela porta. Sim, é exatamente assim.
Osho
*
Dando continuidade ao processo de pesquisa, conceituação e ambientação teórica do projeto de montagem de Parasitas, decidi procurar alguns verbetes-chave para o tal.
A conceituação dos verbetes a seguir é etapa de um esforço maior em torná-los vivos e enraizados (enraizadores) em todas as decisões e procedimentos adotados pela direção, pelo elenco e pela equipe técnica do espetáculo ao longo da sua efetivação. São termos relativamente genéricos, e o presente trabalho procura não esgotar essa “generalidade”, e sim multifacetá-la e verticalizá-la.
Os termos definidos são: ARTIFICIAL, NADA, SIMULACRO, KITSCH, PARASITISMO, SIMULTANEIDADE e GESTALT.
Eles se reportam e se aplicam tanto à análise (dinâmica) dramatúrgica quanto à construção da cena teatral além-texto.
A estrutura adotada é a da citação. Em cada verbete, diversas citações de diversos autores compõem uma rede de idéias nem sempre confluentes. A divergência também faz parte do método.
ARTIFICIAL
Natural é aquilo que lhe foi dado como uma dádiva — uma dádiva do todo. O artificial é aquilo que você criou — por ensinamentos, escrituras, caráter, moralidade. O artificial é aquilo que você impôs sobre o natural, o dado. O natural é de Deus, o artificial é de você mesmo. Tire tudo que você impôs sobre você mesmo, e Deus explodirá em mil flores em seu ser.
Sim, o esforço para ser natural sempre é artificial. Mas entender a artificialidade não é o esforço para ser natural; é simplesmente entender. Ao perceber que você esteve tentando tirar óleo da areia, quando você percebe a inutilidade disso, você abandona todo o projeto. Ao perceber que você estava tentando atravessar uma parede e machucou sua cabeça, ao perceber isso, você pára de tentar. Você começa a procurar pela porta. Sim, é exatamente assim.
Osho
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O meio ambiente artificial é o compreendido pelo espaços construidos, mantidos ou manipulados pela ação do homem (ação antrópica), podendo ser público, assim composto pelo conjuntos urbanos, vilas, cidades, metrópoles, de edificações (chamado de espaço urbano fechado), equipamentos públicos (espaço aberto) e o privado, composto pela mesma ação antrópica mas cujas proporções influem no ecossistema social e natural em ambientes abertos ou fechados.
Os [ambientes] naturais são constituídos por componentes dos ecossistemas em geral e que atendem às necessidades básicas de nutrição, reprodução e proteção.
Na natureza, só o homem é capaz de fugir inteiramente a essas restrições. Sua capacidade de improvisação não tem limites e ele a usa para mudar seu ambiente de modo a torná-lo mais adequado ao seu tipo de vida. Que, por sinal, foi modificado por ele mesmo, perdendo seu sentido natural de satisfação e necessidades fisiológicas básicas.
Começaram a surgir no homem as necessidades ideais, traduzidas em conforto, bem estar, padrões estéticos, poder, satisfação de aptidões intelectuais, resultantes de atividade mental que lhe é peculiar e exclusiva.
*
Os [ambientes] naturais são constituídos por componentes dos ecossistemas em geral e que atendem às necessidades básicas de nutrição, reprodução e proteção.
Na natureza, só o homem é capaz de fugir inteiramente a essas restrições. Sua capacidade de improvisação não tem limites e ele a usa para mudar seu ambiente de modo a torná-lo mais adequado ao seu tipo de vida. Que, por sinal, foi modificado por ele mesmo, perdendo seu sentido natural de satisfação e necessidades fisiológicas básicas.
Começaram a surgir no homem as necessidades ideais, traduzidas em conforto, bem estar, padrões estéticos, poder, satisfação de aptidões intelectuais, resultantes de atividade mental que lhe é peculiar e exclusiva.
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A cidade se desenvolve artificial em relação ao seu meio na medida em que não produz aquilo que é mais necessário à sobrevivência humana: a alimentação. E é neste sentido que trabalhamos o significado de artificialização: a possibilidade de o ser humano se dedicar a outras tarefas que não seja a mais essencial. O modo de vida urbano vai se definindo a partir de tarefas não agrícolas, ainda que dependa crucialmente dela.
Luiz Fernando Mazzini Fontoura
*
Luiz Fernando Mazzini Fontoura
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Não sei se é a mim que acontece, se a todos os que a civilização fez nascer segunda vez. Mas parece-me que para mim, ou para os que sentem como eu, o artificial passou a ser o natural, e é o natural que é estranho. Não digo bem: o artificial não passou a ser o natural; o natural passou a ser diferente. Dispenso e detesto veículos, dispenso e detesto os produtos da ciência - telefones, telégrafos -que tornam a vida fácil, ou os subprodutos da fantasia - gramofonógrafos, receptores hertzianos - que, aos a quem divertem, a tornam divertida.
Nada disso me interessa, nada disso desejo. Mas amo o Tejo porque há uma cidade grande à beira dele. Gozo o céu porque o vejo de um quarto andar de rua da Baixa. Nada o campo ou a natureza me pode dar que valha a majestade irregular da cidade tranquila, sob o luar, vista da Graça ou de São Pedro de Alcântara. Não há para mim flores como, sob o sol, o colorido variadíssimo de Lisboa.
A beleza de um corpo nu só a sentem as raças vestidas. O pudor vale sobretudo para a sensualidade como o obstáculo para a energia.A artificialidade é a maneira de gozar a naturalidade. O que gozei destes campos vastos, gozei-o porque aqui não vivo. Não sente a liberdade quem nunca viveu constrangido. A civilização é uma educação de natureza. O artificial é o caminho para uma apreciação do natural. Ô que é preciso, porém, é que nunca tomemos o artificial por natural. É na harmonia entre o natural e o artificial que consiste a naturalidade da alma humana superior.
Bernardo Soares
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Nada disso me interessa, nada disso desejo. Mas amo o Tejo porque há uma cidade grande à beira dele. Gozo o céu porque o vejo de um quarto andar de rua da Baixa. Nada o campo ou a natureza me pode dar que valha a majestade irregular da cidade tranquila, sob o luar, vista da Graça ou de São Pedro de Alcântara. Não há para mim flores como, sob o sol, o colorido variadíssimo de Lisboa.
A beleza de um corpo nu só a sentem as raças vestidas. O pudor vale sobretudo para a sensualidade como o obstáculo para a energia.A artificialidade é a maneira de gozar a naturalidade. O que gozei destes campos vastos, gozei-o porque aqui não vivo. Não sente a liberdade quem nunca viveu constrangido. A civilização é uma educação de natureza. O artificial é o caminho para uma apreciação do natural. Ô que é preciso, porém, é que nunca tomemos o artificial por natural. É na harmonia entre o natural e o artificial que consiste a naturalidade da alma humana superior.
Bernardo Soares
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Descrita pela primeira vez pelo médico inglês Richard Asher em 1951, a síndrome de Munchausen (SM) é um transtorno factício em que o paciente se mostra aguda e dramaticamente doente, com a habilidade de mimetizar sinais e sintomas de forma a necessitar de internações prolongadas, procedimentos de diagnósticos invasivos, longo tempo de terapia com as mais variadas classes de drogas e cirurgias. Segundo a Associação Psiquiátrica Americana, o critério para o diagnóstico de desordem factícia é produção intencional de sinais e sintomas físicos ou psicológicos, sem que o paciente obtenha algo em troca, como ganho financeiro ou liberação de responsabilidade legal, melhora do bem-estar físico ou uso de determinadas medicações. Na simulação, observa-se que o paciente tem objetivo de receber, com sua sintomatologia, ganho financeiro, previdenciário, judicial, pessoal e outros.
Ana Paula T de Menezes, Érica de M Holanda, Virgínia Angélica L Silveira, Kelma Cristina da S de Oliveira e Francisco George M Oliveira
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Ana Paula T de Menezes, Érica de M Holanda, Virgínia Angélica L Silveira, Kelma Cristina da S de Oliveira e Francisco George M Oliveira
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O natural, noção tão velha quanto fluída, é também metafísica e impossível de circunscrever. Cada modo de atuar julga-se natural e pretende, a cada vez, inventar a representação verdadeiramente natural. O natural, ainda que criado pelo homem, nega-se como produção artificial e designa os "objetos artificiais que se apresentam a nós, como se a arte não houvesse em absoluto se misturado a eles, e como se fossem produções da natureza. Um quadro que atinge os olhos como se víssemos o próprio objeto que eles representam, uma ação dramática que faz esquecer que aquilo não passa de um espetáculo [...], tudo isso se chama natural [...]" (verbete "Natural" da Enciclopédia).
Patrice Pavis
NADA
Definição de NADA: s.m. A não-existência, o que não existe; o vazio: depois da morte, o nada. / Coisa nula, sem valor; bagatela, ninharia, inutilidade, nonada: mãos habilíssimas que convertem nadas em verdadeiras jóias. / Filosofia. Categoria filosófica que representa o não-ser, a ausência de existência: a principal obra filosófica de Sartre é "O ser e o nada". / Pron. indef. Coisa alguma, nenhuma coisa (por opos. a tudo): não há nada dentro da gaveta. / Alguma coisa, algo (em perguntas, embora raramente): há nada mais natural que os extremos opostos se atraírem? // De nada; por nada, não há de quê; não tem de quê (usados como resposta cortês às fórmulas de agradecimento "obrigado", "muito obrigado", "agradecido" etc). // — loc. adj. De nada, insignificante, irrisório, que merece pouca consideração, que inspira pouco ou nenhum temor ou respeito: homenzinho de nada. // Nada mau, melhor do que se esperava, razoável. // Nada bom, nem um pouco bom, péssimo. // Nada feito, em vão, inutilmente. // Nada disso!, de forma alguma, de jeito nenhum. // Nada de novo, nenhuma novidade. // — loc. adv. Antes de mais nada, primeiramente, em primeiro lugar, antes de tudo. // — loc. adv. Por nada; por um nada; por um triz, por pouco. // — loc. adv. Há nada, ainda há pouco, ainda agora, há pouco tempo atrás: há nada, vi-o passar. // — loc. adv. Nada obstante, não obstante, todavia. // — loc. conj. Nada menos, contudo, todavia. // Nada de; nada mais de, não convém, não se deve, não é bom. // Não servir de (ou para) nada, ser perfeitamente inútil, não ter serventia. // Não prestar para nada, não ter préstimo, utilidade ou aplicação. // Não se dar nada a alguém com (ou de) alguma coisa, não lhe importar, ser-lhe indiferente: já não se lhe dá nada de que o chamem de bêbedo. // Ter em nada, estimar em nada, não dar apreço, não considerar valioso. // Não ter nada a ver com (um fato, uma situação, uma pessoa), não estar envolvido em ou com, não ter responsabilidade ou culpa alguma. // Não ser nada (de uma pessoa), não ser parente ou amigo dessa pessoa, não ter laço ou compromisso com ela. // Não ter nada de, não ser, e muito pelo contrário, nem sequer parecer. // Vir do nada, ser de origem humilde, de baixa extração. // Bras. Pop. Não ser de nada, ser um conversa-fiada, não ser capaz ou não ter o hábito de cumprir as ameaças que faz ou os desígnios em que se empenha.
SIMULACRO
SIMULACRO, s.m.(lat. simulacrum). Ant. Imagem, estátua. Fantasma, apparição, visão. Apparência sem realidade: a Persia tem um simulacro de constituição. Representação, acção simulada: um simulacro de batalha.
*
Patrice Pavis
NADA
Definição de NADA: s.m. A não-existência, o que não existe; o vazio: depois da morte, o nada. / Coisa nula, sem valor; bagatela, ninharia, inutilidade, nonada: mãos habilíssimas que convertem nadas em verdadeiras jóias. / Filosofia. Categoria filosófica que representa o não-ser, a ausência de existência: a principal obra filosófica de Sartre é "O ser e o nada". / Pron. indef. Coisa alguma, nenhuma coisa (por opos. a tudo): não há nada dentro da gaveta. / Alguma coisa, algo (em perguntas, embora raramente): há nada mais natural que os extremos opostos se atraírem? // De nada; por nada, não há de quê; não tem de quê (usados como resposta cortês às fórmulas de agradecimento "obrigado", "muito obrigado", "agradecido" etc). // — loc. adj. De nada, insignificante, irrisório, que merece pouca consideração, que inspira pouco ou nenhum temor ou respeito: homenzinho de nada. // Nada mau, melhor do que se esperava, razoável. // Nada bom, nem um pouco bom, péssimo. // Nada feito, em vão, inutilmente. // Nada disso!, de forma alguma, de jeito nenhum. // Nada de novo, nenhuma novidade. // — loc. adv. Antes de mais nada, primeiramente, em primeiro lugar, antes de tudo. // — loc. adv. Por nada; por um nada; por um triz, por pouco. // — loc. adv. Há nada, ainda há pouco, ainda agora, há pouco tempo atrás: há nada, vi-o passar. // — loc. adv. Nada obstante, não obstante, todavia. // — loc. conj. Nada menos, contudo, todavia. // Nada de; nada mais de, não convém, não se deve, não é bom. // Não servir de (ou para) nada, ser perfeitamente inútil, não ter serventia. // Não prestar para nada, não ter préstimo, utilidade ou aplicação. // Não se dar nada a alguém com (ou de) alguma coisa, não lhe importar, ser-lhe indiferente: já não se lhe dá nada de que o chamem de bêbedo. // Ter em nada, estimar em nada, não dar apreço, não considerar valioso. // Não ter nada a ver com (um fato, uma situação, uma pessoa), não estar envolvido em ou com, não ter responsabilidade ou culpa alguma. // Não ser nada (de uma pessoa), não ser parente ou amigo dessa pessoa, não ter laço ou compromisso com ela. // Não ter nada de, não ser, e muito pelo contrário, nem sequer parecer. // Vir do nada, ser de origem humilde, de baixa extração. // Bras. Pop. Não ser de nada, ser um conversa-fiada, não ser capaz ou não ter o hábito de cumprir as ameaças que faz ou os desígnios em que se empenha.
SIMULACRO
SIMULACRO, s.m.(lat. simulacrum). Ant. Imagem, estátua. Fantasma, apparição, visão. Apparência sem realidade: a Persia tem um simulacro de constituição. Representação, acção simulada: um simulacro de batalha.
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O platonismo funda o domínio da representação, definido numa relação intrínseca ao modelo e fundamento. A representação consiste na adequação entre a idéia e a coisa, o abstrato e o real, a fim de discernir o verdadeiro do falso. Platão introduz uma distinção entre cópia e simulacro. Para tanto, erige um modelo, uma espécie de identidade pura, existente no Mundo das Idéias que serve de fundamento (original) para selecionar e classificar as cópias, as coisas que pertencem ao Mundo Sensível. Modelo ou fundamento constitui uma abstração que ocupa o primeiro lugar.
O simulacro, positivado por Deleuze, rompe com representação e a hierarquização platônica. Ele torna-se criação. Quando se utiliza a expressão criação ou processos criativos, há uma tendência em se pensar imediatamente nas produções artísticas, uma vez que o pensamento moderno e disciplinar segmenta a vida em esferas. As produções consideradas artísticas (por este pensamento segmentarizado/dor) tornam-se mais evidentes materiais expressivos e percepções que impregnam o cotidiano e a existência. A arte, para Deleuze (1996), não representa, ela consiste em um bloco de sensações composto por perceptos e afetos que atravessam planos, constituindo percepções e possibilidades de existência de diferentes mundos, os quais tendem a ser aprisionados pela representação.
Gisele Gallicchio
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O simulacro, positivado por Deleuze, rompe com representação e a hierarquização platônica. Ele torna-se criação. Quando se utiliza a expressão criação ou processos criativos, há uma tendência em se pensar imediatamente nas produções artísticas, uma vez que o pensamento moderno e disciplinar segmenta a vida em esferas. As produções consideradas artísticas (por este pensamento segmentarizado/dor) tornam-se mais evidentes materiais expressivos e percepções que impregnam o cotidiano e a existência. A arte, para Deleuze (1996), não representa, ela consiste em um bloco de sensações composto por perceptos e afetos que atravessam planos, constituindo percepções e possibilidades de existência de diferentes mundos, os quais tendem a ser aprisionados pela representação.
Gisele Gallicchio
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Apesar de, na definição de simulacro, quase todos insistirem numa espécie de ambivalência na relação com o real – o simulacro seria, simultaneamente a desrealização e o hiperreal, a falência da representação e um excesso de presença - a ambivalência do simulacro só sobressai, verdadeiramente, se abandonarmos o plano das questões da representação (ou mesmo dos seus limites) para pensarmos a sua relação com a vida. Apesar de estar em falha a apresentação que faz do real, a imagem liberta agora toda a sua potência na vida (2), enquanto algo que não é possível encerrar na representação, nos modos de aparência do mundo ou em toda a relação que suponha a colocação clara de um sujeito e de um objecto.
Com efeito, é a tradição metafísica e teológica que associa especificamente o mundo dos homens, das suas crenças e das suas práticas, a um mundo de imagens, sombras e reflexos. Esta associação produz uma secundidade do mundo dos homens mas, também, o fundamento da sua ligação ao Ser, a Deus e à verdade. Tal é a «civilização das imagens»: aquela em que a imagem distingue o que é especificamente humano, daquilo que o transcende, funcionando como o operador fundamental da relação entre ambos os planos. O simulacro representaria, então, o fim da «civilização das imagens» ou a condição da imagem depois da perda de toda a transcendência, ou deste fundamento metafísico e teológico que alimentou o próprio pensamento da representação. É por isso que os diagnósticos contemporâneos acerca do carácter simulacral da cultura repetem, geralmente, o diagnóstico acerca do niilismo e do seu advento histórico. O simulacro é a condição da imagem na era do niilismo: o reino da pura aparência, do falso pretendente à verdade ou, melhor, da indistinção entre o verdadeiro e o falso – ou o que Nietzsche chamava «a mais alta potência do falso» - na medida em que, apesar de produzir ainda um «efeito de semelhança», como diz Deleuze, é «construído sobre uma dissimilitude», i.e., sem relação com a transcendência de um modelo.
A era do simulacro é a era da intimidade total das imagens com as coisas, os corpos e a matéria, e ainda, com os sonhos, a fantasia e o ideal.
Maria Teresa Cruz
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Com efeito, é a tradição metafísica e teológica que associa especificamente o mundo dos homens, das suas crenças e das suas práticas, a um mundo de imagens, sombras e reflexos. Esta associação produz uma secundidade do mundo dos homens mas, também, o fundamento da sua ligação ao Ser, a Deus e à verdade. Tal é a «civilização das imagens»: aquela em que a imagem distingue o que é especificamente humano, daquilo que o transcende, funcionando como o operador fundamental da relação entre ambos os planos. O simulacro representaria, então, o fim da «civilização das imagens» ou a condição da imagem depois da perda de toda a transcendência, ou deste fundamento metafísico e teológico que alimentou o próprio pensamento da representação. É por isso que os diagnósticos contemporâneos acerca do carácter simulacral da cultura repetem, geralmente, o diagnóstico acerca do niilismo e do seu advento histórico. O simulacro é a condição da imagem na era do niilismo: o reino da pura aparência, do falso pretendente à verdade ou, melhor, da indistinção entre o verdadeiro e o falso – ou o que Nietzsche chamava «a mais alta potência do falso» - na medida em que, apesar de produzir ainda um «efeito de semelhança», como diz Deleuze, é «construído sobre uma dissimilitude», i.e., sem relação com a transcendência de um modelo.
A era do simulacro é a era da intimidade total das imagens com as coisas, os corpos e a matéria, e ainda, com os sonhos, a fantasia e o ideal.
Maria Teresa Cruz
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Vivemos uma espécie de mercado negro semiótico, em que as coisas sempre significam outras coisas.
Vik Muniz
Vik Muniz
KITSCH
O Kitsch pode ser definido como a arte popular com um apelo sentimental e sem grandes pretensões artísticas, além de estar relegado a um período específico do tempo.
O Kitsch não é simplesmente mau gosto, mas possui a habilidade sedutora em atrair e repulsar ao mesmo tempo.
MASP, 2001
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O Kitsch não é só um narcótico e um digestivo; funciona, antes disso, como um excitante vulgar.
Givago Oliveira
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Givago Oliveira
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Esta é uma palavra alemã que apareceu em meados do sentimental século XIX e que, em seguida, se espalhou por todas as línguas. O uso repetido da palavra fez com que se apagasse seu sentido metafísico original: em essência, o kitsch é a negação absoluta da merda; tanto no sentido literal quanto no sentido figurado: o kitsch exclui de seu campo visual tudo que a existência humana tem de essencialmente inaceitável.
O kitsch faz nascer, uma após outra, duas lágrimas de emoção. A primeira lágrima diz: como é bonito crianças correndo no gramado!
A segunda lágrima diz: como é bonito ficar emocionado, junto com toda a humanidade, diante de crianças correndo no gramado!
Somente essa segunda lágrima faz com que o kitsch seja o kitsch.
A fraternidade entre todos os homens não poderá nunca ter outra base senão o kitsch.
Milan Kundera
O kitsch faz nascer, uma após outra, duas lágrimas de emoção. A primeira lágrima diz: como é bonito crianças correndo no gramado!
A segunda lágrima diz: como é bonito ficar emocionado, junto com toda a humanidade, diante de crianças correndo no gramado!
Somente essa segunda lágrima faz com que o kitsch seja o kitsch.
A fraternidade entre todos os homens não poderá nunca ter outra base senão o kitsch.
Milan Kundera
PARASITISMO
Parasitas são organismos que vivem em associação com outros aos quais retiram os meios para a sua sobrevivência, normalmente prejudicando o organismo hospedeiro, um processo conhecido por parasitismo.
Todas as doenças infecciosas e as infestações dos animais e das plantas são causadas por seres considerados, em última análise, parasitas.
O efeito de um parasita no hospedeiro pode ser mínimo, sem lhe afectar as funções vitais, como é o caso dos piolhos, até poder causar a sua morte, como é o caso de muitos virus e bactérias patogénicas. Neste caso extremo, o parasita normalmente morre com o seu hospedeiro, mas em muitos casos, o parasita pode ter-se reproduzido e disseminado os seus descendentes, que podem ter infectado outros hospedeiros, perpetuando assim a espécie.
Os parasitas podem classificar-se segundo a parte do corpo do hospedeiro que atacam:
· Ectoparasitas atacam a parte exterior do corpo do hospedeiro; e
· Endoparasitas vivem no interior do corpo do hospedeiro.
Outra forma de classificar os parasitas tem que ver com os hospedeiros em cuja associação podem viver:
· Parasitas obrigatórios atacam apenas os indivíduos de uma única espécie; e
· Parasitas facultativos podem atacar indivíduos de espécies diferentes, como é o caso das sanguessugas e das carraças.
Os parasitas obrigatórios são considerados mais evoluídos que os facultativos, uma vez que desenvolveram adaptações para isso. Muitas vezes, um hospedeiro obrigatório desenvolve defesas contra um parasita e, se o parasita consegue desenvolver um mecanismo para ultrapassar essas defesas, pode levar a um processo chamado co-evolução.
Wikipédia, a enciclopédia livre
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Parasitas são organismos que vivem em associação com outros aos quais retiram os meios para a sua sobrevivência, normalmente prejudicando o organismo hospedeiro, um processo conhecido por parasitismo.
Todas as doenças infecciosas e as infestações dos animais e das plantas são causadas por seres considerados, em última análise, parasitas.
O efeito de um parasita no hospedeiro pode ser mínimo, sem lhe afectar as funções vitais, como é o caso dos piolhos, até poder causar a sua morte, como é o caso de muitos virus e bactérias patogénicas. Neste caso extremo, o parasita normalmente morre com o seu hospedeiro, mas em muitos casos, o parasita pode ter-se reproduzido e disseminado os seus descendentes, que podem ter infectado outros hospedeiros, perpetuando assim a espécie.
Os parasitas podem classificar-se segundo a parte do corpo do hospedeiro que atacam:
· Ectoparasitas atacam a parte exterior do corpo do hospedeiro; e
· Endoparasitas vivem no interior do corpo do hospedeiro.
Outra forma de classificar os parasitas tem que ver com os hospedeiros em cuja associação podem viver:
· Parasitas obrigatórios atacam apenas os indivíduos de uma única espécie; e
· Parasitas facultativos podem atacar indivíduos de espécies diferentes, como é o caso das sanguessugas e das carraças.
Os parasitas obrigatórios são considerados mais evoluídos que os facultativos, uma vez que desenvolveram adaptações para isso. Muitas vezes, um hospedeiro obrigatório desenvolve defesas contra um parasita e, se o parasita consegue desenvolver um mecanismo para ultrapassar essas defesas, pode levar a um processo chamado co-evolução.
Wikipédia, a enciclopédia livre
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O parasitismo é inerente à vida. Desde o surgimento da vida, há cerca de 4 bilhões de anos, parasitas são encontrados em todas as espécies conhecidas. Todo organismo é um hábitat, uma fonte permanente de alimento e um meio eficaz de reprodução e dispersão.
As descobertas paleoparasitológicas podem ajudar a reconstituir o modo de vida de antigas civilizações, já que fatores como conquista de novos ecossistemas, desenvolvimento cultural, aquisição de novos hábitos alimentares e domesticação de animais contribuíram para mudanças na fauna parasitária do homem.
Adriana Melo
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As descobertas paleoparasitológicas podem ajudar a reconstituir o modo de vida de antigas civilizações, já que fatores como conquista de novos ecossistemas, desenvolvimento cultural, aquisição de novos hábitos alimentares e domesticação de animais contribuíram para mudanças na fauna parasitária do homem.
Adriana Melo
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A suposição de uma natureza parasitária do ser humano continua atual. Afirmações como a de que a exploração sempre tenha existido, ou de que ela seja uma mera manifestação da natureza humana, continuam sendo usadas para legitimar a expansão da barbárie capitalista.
Antônio Inácio Andrioli
SIMULTANEIDADE
Simultaneidade quer dizer que o tempo abarca toda existência; isto é, "o tempo é a existência, e a existência é o tempo."
O mundo inteiro está incluso em nós mesmos. É este o princípio por trás que tudo no mundo nada mais é que o tempo. Cada instante de tempo cobre o mundo todo. Quando compreendemos este aspecto da simultaneidade no tempo, isto nada mais é que o começo de nossa prática e compreensão. Ao chegarmos neste ponto, podemos ter uma muito clara compreensão de toda e cada prática: um capim no prado, cada objeto, cada coisa viva que seja, não pode de forma alguma ser separada do tempo. O tempo inclui todos os seres e todos os mundos.
O significado central da simultaneidade do tempo é o seguinte: cada ser no mundo inteiro está ligado visceralmente um com o outro, e não pode jamais ser separado desta simultaneidade que é o tempo. O tempo é a simultaneidade, e desta forma é meu próprio tempo verdadeiro. Existe contudo este movimento do tempo já que ele se move de hoje para amanhã, de hoje para ontem, de ontem para hoje, de hoje para hoje e de amanhã para amanhã. Este movimento é a característica do tempo e o passado bem como o presente não podem ser duplicados.
A simultaneidade no tempo não pode ser comparada com a chuva que é soprada daqui para ali por qualquer vento que apareça. A simultaneidade no tempo é o mundo inteiro agindo através de si mesmo. Considerem a seguinte ilustração: Quando se torna primavera em um lugar, conseqüentemente é primavera por toda parte nas redondezas. A primavera abarca a tudo. A primavera nada mais é que primavera; não pressupõe de forma nenhuma que exista um verão ou um inverno para que ela possa com isto existir. É apenas o acontecimento do vento e do sol da primavera. Assim também é a simultaneidade no tempo. Mas a simultaneidade no tempo nada tem a ver com a primavera; o que quero dizer é que a simultaneidade no tempo da primavera é a primavera.
Dôgen Zenji (1200-1253)
Adaptado da tradução do monge Ryokyu Marcos Beltrão
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Antônio Inácio Andrioli
SIMULTANEIDADE
Simultaneidade quer dizer que o tempo abarca toda existência; isto é, "o tempo é a existência, e a existência é o tempo."
O mundo inteiro está incluso em nós mesmos. É este o princípio por trás que tudo no mundo nada mais é que o tempo. Cada instante de tempo cobre o mundo todo. Quando compreendemos este aspecto da simultaneidade no tempo, isto nada mais é que o começo de nossa prática e compreensão. Ao chegarmos neste ponto, podemos ter uma muito clara compreensão de toda e cada prática: um capim no prado, cada objeto, cada coisa viva que seja, não pode de forma alguma ser separada do tempo. O tempo inclui todos os seres e todos os mundos.
O significado central da simultaneidade do tempo é o seguinte: cada ser no mundo inteiro está ligado visceralmente um com o outro, e não pode jamais ser separado desta simultaneidade que é o tempo. O tempo é a simultaneidade, e desta forma é meu próprio tempo verdadeiro. Existe contudo este movimento do tempo já que ele se move de hoje para amanhã, de hoje para ontem, de ontem para hoje, de hoje para hoje e de amanhã para amanhã. Este movimento é a característica do tempo e o passado bem como o presente não podem ser duplicados.
A simultaneidade no tempo não pode ser comparada com a chuva que é soprada daqui para ali por qualquer vento que apareça. A simultaneidade no tempo é o mundo inteiro agindo através de si mesmo. Considerem a seguinte ilustração: Quando se torna primavera em um lugar, conseqüentemente é primavera por toda parte nas redondezas. A primavera abarca a tudo. A primavera nada mais é que primavera; não pressupõe de forma nenhuma que exista um verão ou um inverno para que ela possa com isto existir. É apenas o acontecimento do vento e do sol da primavera. Assim também é a simultaneidade no tempo. Mas a simultaneidade no tempo nada tem a ver com a primavera; o que quero dizer é que a simultaneidade no tempo da primavera é a primavera.
Dôgen Zenji (1200-1253)
Adaptado da tradução do monge Ryokyu Marcos Beltrão
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Dois eventos que são simultâneos em um referencial não são simultâneos em nenhum outro referencial inercial que esteja em movimento em relação ao primeiro.
Albert Einstein
GESTALT
Gestalt é o termo intraduzível do alemão, utilizado para abarcar a teoria da percepção visual baseada na psicologia da forma.
A Teoria da Gestalt afirma que não se pode ter conhecimento do todo através das partes, e sim das partes através do todo. Que os conjuntos possuem leis próprias e estas regem seus elementos (e não o contrário, como se pensava antes). E que só através da percepção da totalidade é que o cérebro pode de fato perceber, decodificar e assimilar uma imagem ou um conceito.
“O sistema tende espontaneamente à estrutura mais equilibrada, mais homogênea, mais regular, mais simétrica”.
"O todo é mais do que a soma das partes". Isto equivale a dizer que "A + B" não é simplesmente "(A+B)", mas sim um terceiro elemento "C" que possui características próprias.
São estas, resumidamente, as Leis da Gestalt:
SEMELHANÇA: Define que os objetos similares tendem a se agrupar. A similaridade pode acontecer na cor dos objetos, na textura e na sensação de massa dos elementos.
PROXIMIDADE: Os elementos são agrupados de acordo com a distância a que se encontram uns dos outros.
BOA CONTINUIDADE: Está relacionada à coincidência de direções, ou alinhamento, das formas dispostas. Se vários elementos de um quadro apontam para o mesmo canto, por exemplo, o resultado final “fluirá” mais naturalmente.
PREGNÂNCIA: Diz que todas as formas tendem a ser percebidas em seu caráter mais simples: uma espada e um escudo podem tornar-se uma reta e um círculo, e um homem pode ser um aglomerado de formas geométricas. É o princípio da simplificação natural da percepção. Quanto mais simples, mais facilmente é assimilada.
CLAUSURA: Ou “fechamento”, o princípio de que a boa forma se completa, se fecha sobre si mesma, formando uma figura delimitada. O conceito de clausura relaciona-se ao fechamento visual, como se completássemos visualmente um objeto incompleto.
EXPERIÊNCIA PASSADA: A associação aqui, sim, é imprescindível, pois certas formas só podem ser compreendidas se já a conhecermos, ou se tivermos consciência prévia de sua existência.
Uma imagem é capaz de ter a mesma eloqüência que um discurso falado ou mesmo que um livro. Tudo depende da ordem e da intensidade em que são organizados: a sua configuração ou Gestalt. Seja texto ou imagem, estamos lidando com discursos da propaganda, e daí devemos perseguir sempre os elementos fundamentais desses objetos de análise.
Wikipédia, a enciclopédia livre
CONCLUSÃO
Através dessa primeira etapa de definição de conceitos-chave e conceituação dos mesmos, cria-se um círculo de interesses e um vocabulário comum a toda a equipe. É condição primordial no processo da montagem de Parasitas a sintonia (mesmo que caótica) entre os criadores, para que potencializem-se as características individuais e se fortaleça a troca entre todos.
Cada um dos conceitos-chave tem relação estreita com cada elemento da construção do espetáculo, aproximando-se mais de uns que de outros. Os conceitos de ARTIFICIAL, SIMULACRO e PARASITISMO darão base ao trabalho do elenco (na construção dos personagens e sua simultânea destruição; na postura cênica frente aos demais elementos; na contracena enviezada; na presentificação do ser cênico – personagem/ator; na relação sutil com a platéia). Os conceitos de NADA, SIMULTANEIDADE, GESTALT e KITSCH estão, de certa forma – e juntos ao demais conceitos –, mais ligados ao trabalho de encenação propriamente dito (a construção da rede de signos; a evolução dramatúrgica do espetáculo no espaço e no tempo; a estética visual geral da peça e específica dos personagens; a ambiência onde será inserido e centrifugado o espectador).
O passo seguinte nessa pesquisa (já iniciada no desenvolvimento primeiro do projeto de encenação) é a construção de um banco de imagens (pesquisa iconográfica) que, embasado nas conceituações aqui expostas, servirá para a criação do espetáculo, tanto nas questões visuais (cenário, figurino, maquiagem, relação cena/espectador) quanto nas questões textuais e melódicas (texto e sonoplastia) e nas questões sutis (postura e presença cênica, ambiente instaurado, relação obra/vida).
REFERÊNCIAS
KUNDERA, Milan. A insustentável leveza do ser. 35ª edição.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.
PAVIS, Patrice. Dicionário de teatro.
São Paulo: Perspectiva, 2001.
SOARES, Bernardo. O livro do desassossego.
Publicado por dolphin.s em setembro 21, 2003.
www.angelfire.com/sk/holgonsi/index.simulacro.html
www.cultkitsch.org
www.cinemalido.com.br/Editorias/Hoje/Kitsch.htm
www.ecoambiental.com.br
www.ecolnews.com.br/meioambiente-conceito.htm
www.oshobrasil.com.br
www.scielo.com.br
www.triplov.com/ista/encontros/ poder_imagem/teresa_cruz1.htm
www.wikipedia.org
clientes.netvisao.pt/franpalm/serv04.htm
Albert Einstein
GESTALT
Gestalt é o termo intraduzível do alemão, utilizado para abarcar a teoria da percepção visual baseada na psicologia da forma.
A Teoria da Gestalt afirma que não se pode ter conhecimento do todo através das partes, e sim das partes através do todo. Que os conjuntos possuem leis próprias e estas regem seus elementos (e não o contrário, como se pensava antes). E que só através da percepção da totalidade é que o cérebro pode de fato perceber, decodificar e assimilar uma imagem ou um conceito.
“O sistema tende espontaneamente à estrutura mais equilibrada, mais homogênea, mais regular, mais simétrica”.
"O todo é mais do que a soma das partes". Isto equivale a dizer que "A + B" não é simplesmente "(A+B)", mas sim um terceiro elemento "C" que possui características próprias.
São estas, resumidamente, as Leis da Gestalt:
SEMELHANÇA: Define que os objetos similares tendem a se agrupar. A similaridade pode acontecer na cor dos objetos, na textura e na sensação de massa dos elementos.
PROXIMIDADE: Os elementos são agrupados de acordo com a distância a que se encontram uns dos outros.
BOA CONTINUIDADE: Está relacionada à coincidência de direções, ou alinhamento, das formas dispostas. Se vários elementos de um quadro apontam para o mesmo canto, por exemplo, o resultado final “fluirá” mais naturalmente.
PREGNÂNCIA: Diz que todas as formas tendem a ser percebidas em seu caráter mais simples: uma espada e um escudo podem tornar-se uma reta e um círculo, e um homem pode ser um aglomerado de formas geométricas. É o princípio da simplificação natural da percepção. Quanto mais simples, mais facilmente é assimilada.
CLAUSURA: Ou “fechamento”, o princípio de que a boa forma se completa, se fecha sobre si mesma, formando uma figura delimitada. O conceito de clausura relaciona-se ao fechamento visual, como se completássemos visualmente um objeto incompleto.
EXPERIÊNCIA PASSADA: A associação aqui, sim, é imprescindível, pois certas formas só podem ser compreendidas se já a conhecermos, ou se tivermos consciência prévia de sua existência.
Uma imagem é capaz de ter a mesma eloqüência que um discurso falado ou mesmo que um livro. Tudo depende da ordem e da intensidade em que são organizados: a sua configuração ou Gestalt. Seja texto ou imagem, estamos lidando com discursos da propaganda, e daí devemos perseguir sempre os elementos fundamentais desses objetos de análise.
Wikipédia, a enciclopédia livre
CONCLUSÃO
Através dessa primeira etapa de definição de conceitos-chave e conceituação dos mesmos, cria-se um círculo de interesses e um vocabulário comum a toda a equipe. É condição primordial no processo da montagem de Parasitas a sintonia (mesmo que caótica) entre os criadores, para que potencializem-se as características individuais e se fortaleça a troca entre todos.
Cada um dos conceitos-chave tem relação estreita com cada elemento da construção do espetáculo, aproximando-se mais de uns que de outros. Os conceitos de ARTIFICIAL, SIMULACRO e PARASITISMO darão base ao trabalho do elenco (na construção dos personagens e sua simultânea destruição; na postura cênica frente aos demais elementos; na contracena enviezada; na presentificação do ser cênico – personagem/ator; na relação sutil com a platéia). Os conceitos de NADA, SIMULTANEIDADE, GESTALT e KITSCH estão, de certa forma – e juntos ao demais conceitos –, mais ligados ao trabalho de encenação propriamente dito (a construção da rede de signos; a evolução dramatúrgica do espetáculo no espaço e no tempo; a estética visual geral da peça e específica dos personagens; a ambiência onde será inserido e centrifugado o espectador).
O passo seguinte nessa pesquisa (já iniciada no desenvolvimento primeiro do projeto de encenação) é a construção de um banco de imagens (pesquisa iconográfica) que, embasado nas conceituações aqui expostas, servirá para a criação do espetáculo, tanto nas questões visuais (cenário, figurino, maquiagem, relação cena/espectador) quanto nas questões textuais e melódicas (texto e sonoplastia) e nas questões sutis (postura e presença cênica, ambiente instaurado, relação obra/vida).
REFERÊNCIAS
KUNDERA, Milan. A insustentável leveza do ser. 35ª edição.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985.
PAVIS, Patrice. Dicionário de teatro.
São Paulo: Perspectiva, 2001.
SOARES, Bernardo. O livro do desassossego.
Publicado por dolphin.s em setembro 21, 2003.
www.angelfire.com/sk/holgonsi/index.simulacro.html
www.cultkitsch.org
www.cinemalido.com.br/Editorias/Hoje/Kitsch.htm
www.ecoambiental.com.br
www.ecolnews.com.br/meioambiente-conceito.htm
www.oshobrasil.com.br
www.scielo.com.br
www.triplov.com/ista/encontros/ poder_imagem/teresa_cruz1.htm
www.wikipedia.org
clientes.netvisao.pt/franpalm/serv04.htm
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Revisando...
Gênero e Movimento
Teatro de Revista no Brasil
Por Giorgia Conceição
O Teatro de Revista foi um movimento muito expressivo dentro da história do teatro no Brasil, apesar de pouquíssimo citado nas páginas oficiais. Embora tenha chegado da Europa, estrangeiro, foi completamente deglutido e antropofagizado pela cor e ritmos locais, tornando-se um gênero brasileiro. A prova disso é a proliferação de autores e companhias dedicados ao gênero desde o final do século XIX, que imprimiram características autênticas, chegando ao auge nas primeiras décadas do século XX.
Devemos ter em mente que este movimento nacional aconteceu primordialmente na cidade do Rio de Janeiro, antiga capital. Precisamos lembrar das características de um país ainda em vias de auto-afirmação, onde a maioria dos acontecimentos culturais relevantes acontecia na capital, pois o restante do país era ainda essencialmente agrário e provinciano.
No decorrer da década de 50 do século passado, o Teatro de Revista perdeu força enquanto movimento, até entrar em completa decadência. Essa derrocada coincide com vários outros acontecimentos, como mudanças no cenário político brasileiro, a Copa do Mundo de Futebol de 1950, a popularização do cinema...
Toda a expressão artística que se configura como movimento - ou seja: que, por uma série de razões, passa a ser produzida por diversos artistas, se fortalecendo como linguagem - é fruto de um contexto histórico específico, sem o qual teria sido produzida de outras formas. Portanto, a ascensão e queda do Teatro de Revista como um expressivo movimento, guarda uma estrita relação com o panorama histórico nacional. Ironicamente, o gênero é tido como menor (ou simplesmente suprimido) nas páginas historiográficas oficiais do teatro brasileiro.
Tendo o movimento revisteiro intrínseca relação com o período ao longo do qual foi sendo produzido, é impossível pensarmos numa volta aos tempos da revista, nostalgicamente falando. Como gênero de espetáculo, porém, é possível sim pensarmos na renovação da Revista, por sua própria característica anárquica e mutável. O que definitivamente não seria possível, seria um apego ao velho formato, pois, assim como o drama passou por várias transformações, a Revista precisaria ser revisada. Não podemos prever a recepção do público, mas poderíamos apostar no sucesso do estilo, pois um espetáculo com músicas, ação e versatilidade visual poderia ser muito bem quisto pela platéia.
Ao meu ver, uma das mais fortes características do gênero é a de ser escrito para a encenação, ou seja, o texto somente se completa quando realizado no palco. Claro que todo texto dramático guarda essa característica, mas na Revista isso acontece com grande radicalidade. E, talvez por isso mesmo - já que os registros de imagem eram mais escassos - é que o gênero tenha “se perdido” na história do teatro, pois era difícil de ser registrado, captado, controlado.
A característica de revisão crítica de acontecimentos atuais teria que ser repensada, pois atualmente a velocidade das informações não permitiria a defasagem de nem mesmo uma semana do fato (quiçá de um dia...). Continuando nesta especulação, talvez os temas tivessem que ser trabalhados de forma mais genérica, abrangendo os assuntos, mas não os fatos específicos do momento.
Também há a questão da viabilidade financeira de uma encenação revisteira; a não ser que se tratasse de uma grande produção no estilo musical, não seria possível fazer algo com um número muito grande de atores e equipe de contra-regragem. Atualmente, uma produção com seis ou sete atores já se tornaria muito onerosa (mais uma vez, vemos na prática o contexto histórico influenciando diretamente nas características de produção cultural).
O Teatro de Revista enquanto gênero, porém, somente poderia contaminar e influenciar novos artistas se houvesse uma divulgação mais intensa e massiva de o que foi esse movimento – e, principalmente da sua expressiva contribuição para o cenário teatral brasileiro.
Teatro de Revista no Brasil
Por Giorgia Conceição
O Teatro de Revista foi um movimento muito expressivo dentro da história do teatro no Brasil, apesar de pouquíssimo citado nas páginas oficiais. Embora tenha chegado da Europa, estrangeiro, foi completamente deglutido e antropofagizado pela cor e ritmos locais, tornando-se um gênero brasileiro. A prova disso é a proliferação de autores e companhias dedicados ao gênero desde o final do século XIX, que imprimiram características autênticas, chegando ao auge nas primeiras décadas do século XX.
Devemos ter em mente que este movimento nacional aconteceu primordialmente na cidade do Rio de Janeiro, antiga capital. Precisamos lembrar das características de um país ainda em vias de auto-afirmação, onde a maioria dos acontecimentos culturais relevantes acontecia na capital, pois o restante do país era ainda essencialmente agrário e provinciano.
No decorrer da década de 50 do século passado, o Teatro de Revista perdeu força enquanto movimento, até entrar em completa decadência. Essa derrocada coincide com vários outros acontecimentos, como mudanças no cenário político brasileiro, a Copa do Mundo de Futebol de 1950, a popularização do cinema...
Toda a expressão artística que se configura como movimento - ou seja: que, por uma série de razões, passa a ser produzida por diversos artistas, se fortalecendo como linguagem - é fruto de um contexto histórico específico, sem o qual teria sido produzida de outras formas. Portanto, a ascensão e queda do Teatro de Revista como um expressivo movimento, guarda uma estrita relação com o panorama histórico nacional. Ironicamente, o gênero é tido como menor (ou simplesmente suprimido) nas páginas historiográficas oficiais do teatro brasileiro.
Tendo o movimento revisteiro intrínseca relação com o período ao longo do qual foi sendo produzido, é impossível pensarmos numa volta aos tempos da revista, nostalgicamente falando. Como gênero de espetáculo, porém, é possível sim pensarmos na renovação da Revista, por sua própria característica anárquica e mutável. O que definitivamente não seria possível, seria um apego ao velho formato, pois, assim como o drama passou por várias transformações, a Revista precisaria ser revisada. Não podemos prever a recepção do público, mas poderíamos apostar no sucesso do estilo, pois um espetáculo com músicas, ação e versatilidade visual poderia ser muito bem quisto pela platéia.
Ao meu ver, uma das mais fortes características do gênero é a de ser escrito para a encenação, ou seja, o texto somente se completa quando realizado no palco. Claro que todo texto dramático guarda essa característica, mas na Revista isso acontece com grande radicalidade. E, talvez por isso mesmo - já que os registros de imagem eram mais escassos - é que o gênero tenha “se perdido” na história do teatro, pois era difícil de ser registrado, captado, controlado.
A característica de revisão crítica de acontecimentos atuais teria que ser repensada, pois atualmente a velocidade das informações não permitiria a defasagem de nem mesmo uma semana do fato (quiçá de um dia...). Continuando nesta especulação, talvez os temas tivessem que ser trabalhados de forma mais genérica, abrangendo os assuntos, mas não os fatos específicos do momento.
Também há a questão da viabilidade financeira de uma encenação revisteira; a não ser que se tratasse de uma grande produção no estilo musical, não seria possível fazer algo com um número muito grande de atores e equipe de contra-regragem. Atualmente, uma produção com seis ou sete atores já se tornaria muito onerosa (mais uma vez, vemos na prática o contexto histórico influenciando diretamente nas características de produção cultural).
O Teatro de Revista enquanto gênero, porém, somente poderia contaminar e influenciar novos artistas se houvesse uma divulgação mais intensa e massiva de o que foi esse movimento – e, principalmente da sua expressiva contribuição para o cenário teatral brasileiro.
ver artigo relacionado no mês de agosto Futurismo e o Rompimento dos Cânones da Arte Clássica
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MECÂNICA
DO
TROPICAL
AO
RADICAL
<<<<cenas cotidianas>>>


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TROPICAL
AO
RADICAL
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Mecânica: pré-estréia em 19.11.2006 (domingo) às 19 horas, no Teatro da Caixa (R. Conselheiro Laurindo, 280 - Centro; Fone: (41)21185233, integrando o evento II Mostra Cena Breve Curitiba. Ingressos à venda a partir de 14/11. Para obter maiores informações, visite http://www.ciasenhas.art.br. Fotografia de divulgação: Léo Glück.
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Mecânica
{DO TROPICAL AO RADICAL}

- Adoro ficar em casa arrumando armários. Foi para o aviador brasileiro Santos Dumont que, em 1901, a Cartier criou o primeiro relógio de pulso do mundo. Descarte o prosecco italiano, substitua o purê de damasco, suprima o queijo de cabra da salada, caso não encontre pão de miga, prepare os sanduíches de truta e abobrinha com pão de forma sem casca. Como as fatias são menores, dobre a quantidade de pão. Por que não me chamaram para o remake de A Feiticeira? Agora tenho dinheiro para comprar qualquer coisa que eu queira. Este é o momento certo de aumentar a voltagem do gloss e apostar nas variações com glitter. Lencinhos antioleosidade, blush, bolero de lurex, proteínas, ômega 3 e ômega 6, folhas verdes em geral. Entropia: Jamais acorda quem, uma vez, adormeceu no frio repouso da morte.
Mecânica terá sua pré-estréia em 19.11.2006 (domingo) às 19 horas, no Teatro da Caixa (R. Conselheiro Laurindo, 280 - Centro; Fone: (41)21185233), integrando o evento II Mostra Cena Breve Curitiba. Para obter maiores informações, visite http://www.ciasenhas.art.br. Fotografia de divulgação: Léo Glück.
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VAMOS ALÉM!!!
Vamos além: não existe ilusão teatral. O “teatro de ilusão” é uma realização perversa da denegação: trata-se de exagerar a semelhança com a “realidade” do universo socioeconômico do espectador, de tal modo que esse universo em sua totalidade se incline para a denegação. A ilusão transborda sobre a própria realidade, ou melhor, o espectador, diante de uma realidade que tenta imitar com perfeição este mundo, com a maior verossimilhança, se vê compelido à passividade. O espetáculo lhe diz: “este mundo aqui reproduzido com tantos pormenores assemelha-se, a ponto de confundir-se com ele, ao mundo em que você vive (em que vivem também outras pessoas, mais afortunadas); assim como você não pode intervir no mundo cênico, fechado em seu círculo mágico, tampouco pode intervir no universo real em que vive”. Recuperamos aqui, pelo viés imprevisto da denegação freudiana, a crítica feita por Brecht ao processo de identificação.
UBERSFELD, Anne. Para ler o teatro. Pág. 23. São Paulo: Perspectiva, 2005.
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A ARTE DA DESAPARIÇÃO
Jean Baudrillard
Assim é a simulação, naquilo em que se contrapõe à representação. Esta parte do princípio de equivalência do signo e do real (mesmo se essa equivalência é utópica) é um axioma fundamental. A simulação parte, ao contrário da utopia, do princípio de equivalência, parte da negação radical do signo como valor, parte do signo como reversão e aniquilamento de toda a referência. Enquanto que a representação tenta absorver a simulação interpretando-a como falsa representação, a simulação envolve todo o edifício da representação como simulacro.
Seriam estas as fases sucessivas da imagem:
· Ela é o reflexo de uma realidade profunda;
· Ela mascara e deforma uma realidade profunda;
· Ela mascara a ausência de realidade profunda;
· Ela não tem relação com qualquer realidade: ela é o seu próprio simulacro puro.
No primeiro caso, a imagem é uma boa aparência – a representação é do domínio do sacramento. No segundo, é uma má aparência – do domínio do malefício. No terceiro, finge ser uma aparência – é do domínio do sortilégio. No quarto, já não é de todo do domínio da aparência, mas da simulação.
A passagem dos signos que dissimulam alguma coisa aos signos que dissimulam que não há nada marca a curva decisiva. Os primeiros referem-se a uma teologia da verdade e do segredo (de que faz ainda parte a ideologia). Os segundos inauguram a era dos simulacros e da simulação, onde já não existe Deus para reconhecer os seus, onde já não existe Juízo Final para separar o falso do verdadeiro, o real da sua ressurreição artificial, pois tudo já está de antemão morto e ressuscitado.
Quando o real já não é o que era, a nostalgia assume todo o seu sentido. Sobrevalorização dos mitos de origem e dos signos de realidade. Sobrevalorização de verdade, de objetividade e de autenticidade de segundo plano. Escalada do verdadeiro, do vivido, ressurreição do figurativo onde o objeto e a substância desaparecem. Produção desenfreada de real e de referencial, paralela e superior ao desenfreamento da produção material: assim surge a simulação na fase que nos interessa – uma estratégia de real, de neo-real e de hiper-real, que faz por todo o lado a dublagem de uma estratégia de dissuasão.
BAUDRILLARD, Jean. A Arte da Desaparição. Páginas 28 e 29. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1997.
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Sobre REBECCA, por Léo Glück
Companhia Silenciosa - Conceitos e Práticas
A Companhia Silenciosa, ativa desde 2002, vem desenvolvendo e praticando pesquisa na área das artes cênicas curitibanas contemporâneas sob o foco de quatro norteadoras temáticas capitais; são elas ironia, territorialidade, infiltração e presença.
Em todos os seus trabalhos, percebe-se que a Companhia não procura o moto perpétuo ou a continuidade de um gesto ilimitado. Em cada fração de suas obras, o principal conceito é o de que não há como movimentar-se sem passar pela condição de repouso. Da mesma forma, não há como falar sem silenciar.
Em todos os seus trabalhos, percebe-se que a Companhia não procura o moto perpétuo ou a continuidade de um gesto ilimitado. Em cada fração de suas obras, o principal conceito é o de que não há como movimentar-se sem passar pela condição de repouso. Da mesma forma, não há como falar sem silenciar.
REBECCA e seu objetivo comunicativo
O espetáculo pretende acelerar qualitativamente a discussão sobre a língua portuguesa desde sua etimologia até seu uso fracassado. Como não nos apropriamos dos bens naturais do idioma e até inserimos vocábulos estrangeiros fora de seu contexto original, formulando, assim, uma comunicação excrescente e superpopulosa. Apesar de sua multilinearidade, a cultura vocabular passa, daí em diante, a dar mostras de sofrimento precoce (já que não é dominada mesmo em sua parcialidade e reflete apenas a utilização ligeira e equivocada dos agrupamentos fáceis) e nem mesmo corresponder à realidade de suas inflexões. Trata-se do famigerado problema da incomunicabilidade — apesar do recente estabelecimento de nós e redes digitais, que apuram a transmissão da informação sem analisar seu conteúdo ou mesmo saber como transmiti-lo — , desta vez visto por outro ângulo, que não o da palavra dita.
Desta vez, pura e simplesmente a palavra escrita serve de parâmetro para acentuar as necessidades (ou falta delas) de um povo que sequer toma conhecimento da própria língua.
Não é de hoje que o idioma português sofre grotescas deformações porque as culturas políticas e econômicas (in)existentes nesse país não se dignam ensiná-lo ou, ainda, estabelecer um primeiro contato entre ele e a boca que o falará.
Desta vez, pura e simplesmente a palavra escrita serve de parâmetro para acentuar as necessidades (ou falta delas) de um povo que sequer toma conhecimento da própria língua.
Não é de hoje que o idioma português sofre grotescas deformações porque as culturas políticas e econômicas (in)existentes nesse país não se dignam ensiná-lo ou, ainda, estabelecer um primeiro contato entre ele e a boca que o falará.
REBECCA e o humor
O critério das unidades aristotélicas, aparecendo em último plano, empalidece até tornar-se irrelevante e indistinto; as análises sociopsicológicas em REBECCA marcam o primeiro embate entre obra e público, no que se refere ao status moral e social das possíveis personagens, identificando-as como tipos opostos, homogêneos e, por isto mesmo, complementares.
Neste espetáculo, o humor, entendido como uma variante da espirituosidade, da requintada atividade de jogar com palavras e idéias, visa o riso inteligente do espectador, atrai todo o mérito crítico devido a sua identidade, ou seja, ao seu afastamento das exigências do corpo.
Esse corpo, por sua vez, tornado quase transparente, veículo diáfano de preciosos conteúdos morais, intelectuais, espirituais, é a imagem dramatúrgica mais afastada da espessa corporalidade dos agentes cômicos e só é visto em si, como corpo, quando a obra o coloca a nu e chama para si a mais rasteira de suas possibilidades: a de despir-se. A visibilidade desse corpo provoca reflexões sobre o papel que vem sendo assumido por essa categoria de corpos, sem que, para esse assunto específico, sejam necessárias tortuosas e arbitrárias dissertações.
“Por apresentar um aspecto pontual, de flash, por surgir da súbita iluminação do espírito (wit, Witz, esprit), o humor tende a aparecer, no contexto de uma seqüência de diálogos, em geral mesclado e dissolvido em outras espécies de estratégias cômicas.” (CLEISE MENDES in: A Força Cômica.)
Neste espetáculo, o humor, entendido como uma variante da espirituosidade, da requintada atividade de jogar com palavras e idéias, visa o riso inteligente do espectador, atrai todo o mérito crítico devido a sua identidade, ou seja, ao seu afastamento das exigências do corpo.
Esse corpo, por sua vez, tornado quase transparente, veículo diáfano de preciosos conteúdos morais, intelectuais, espirituais, é a imagem dramatúrgica mais afastada da espessa corporalidade dos agentes cômicos e só é visto em si, como corpo, quando a obra o coloca a nu e chama para si a mais rasteira de suas possibilidades: a de despir-se. A visibilidade desse corpo provoca reflexões sobre o papel que vem sendo assumido por essa categoria de corpos, sem que, para esse assunto específico, sejam necessárias tortuosas e arbitrárias dissertações.
“Por apresentar um aspecto pontual, de flash, por surgir da súbita iluminação do espírito (wit, Witz, esprit), o humor tende a aparecer, no contexto de uma seqüência de diálogos, em geral mesclado e dissolvido em outras espécies de estratégias cômicas.” (CLEISE MENDES in: A Força Cômica.)
REBECCA e o estranhamento
A arte e a comunicação, com as devidas proporções, são simultaneamente estranhamento e reconhecimento, porque não se pode experimentar o estranhamento enquanto tal, a não ser no abismo da angústia existencial. Numa atividade qualquer, é preciso estar referido a um padrão para poder desviar-se dele. Faz-se mister esta atividade de errância.
Do ponto de vista da experiência estética, o procedimento construtivo é o que menos importa, se não tem em mente os resultados, os efeitos e o grau de vigência de uma determinada obra.
Um bom equívoco a ser citado quanto a isso, embora mais grave, é o de supor que a cultura contemporânea instaurou uma estética do fragmento, uma estética da fuga ou da desaparição, por ser a época em que as formas de expressão dominantes no âmbito das poéticas audiovisuais, auxiliadas pelo processamento digital da informação, apelam para a fragmentação e a velocidade.
Como um flâneur urbano e sintomático, cujo ato de andar é o mesmo de tomar posse, de marcar simbolicamente o seu espaço, o espectador está livre para fazer apropriações silenciosas, minúsculas e banais do cotidiano, praticar subversão intersticial, com possibilidades de se locomover escrevendo pequenas histórias.
Perceber o mundo é viver a experiência da unidade na diversidade.
Do ponto de vista da experiência estética, o procedimento construtivo é o que menos importa, se não tem em mente os resultados, os efeitos e o grau de vigência de uma determinada obra.
Um bom equívoco a ser citado quanto a isso, embora mais grave, é o de supor que a cultura contemporânea instaurou uma estética do fragmento, uma estética da fuga ou da desaparição, por ser a época em que as formas de expressão dominantes no âmbito das poéticas audiovisuais, auxiliadas pelo processamento digital da informação, apelam para a fragmentação e a velocidade.
Como um flâneur urbano e sintomático, cujo ato de andar é o mesmo de tomar posse, de marcar simbolicamente o seu espaço, o espectador está livre para fazer apropriações silenciosas, minúsculas e banais do cotidiano, praticar subversão intersticial, com possibilidades de se locomover escrevendo pequenas histórias.
Perceber o mundo é viver a experiência da unidade na diversidade.
REBECCA e suas personagens
Toda ação é também uma interpelação e, quando nos dirigimos a alguém, por mais singular que seja o nosso gesto ou o nosso discurso para nosso interlocutor imediato, supomos que ele partilhe conosco algo que precede esse encontro. No plano verbal, é toda a história da língua, sedimentada numa estrutura sintática e num léxico, que funciona, num determinado domínio cultural, como um padrão virtual, sem o qual as mensagens efetivas não podem circular. Sem essa dimensão presente, porém invisível, que é a gramática, a fala não seria possível; por isso, a ação de falar depende não só da iniciativa do falante, mas também da passividade com que ele se submete à gramática que está virtualmente presente e que, se lhe permite dizer o que quer, também o obriga a dizê-lo de um modo determinado.
David e Francis estabelecem uma relação tardia e caduca, baseada nas generalidades da afetividade humana e na impressão (talvez falsa) de que o mundo perdeu-se em seus próprios mecanicismos e truques. É daí que surgem os questionamentos — mesmo lingüísticos e metalingüísticos — que os intrigam; o término da sensibilidade da galáxia sob a ótica do idioma, inteiro ele próprio em desuso.
O fim como mola propulsora.
David e Francis estabelecem uma relação tardia e caduca, baseada nas generalidades da afetividade humana e na impressão (talvez falsa) de que o mundo perdeu-se em seus próprios mecanicismos e truques. É daí que surgem os questionamentos — mesmo lingüísticos e metalingüísticos — que os intrigam; o término da sensibilidade da galáxia sob a ótica do idioma, inteiro ele próprio em desuso.
O fim como mola propulsora.
(Veja a entrevista de Léo Glück sobre REBECCA em http://www.youtube.com/watch?v=HizgxYfGf2U)
Main Source:
Temas Em Contemporaneidade, Imaginário E Teatralidade / organizado por Armindo Bião, Antonia Pereira, Luiz Cláudio Cajaíba, Renata Pitombo. — São Paulo: Annablume: Salvador: GIPE-CIT, 2000.
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Temas Em Contemporaneidade, Imaginário E Teatralidade / organizado por Armindo Bião, Antonia Pereira, Luiz Cláudio Cajaíba, Renata Pitombo. — São Paulo: Annablume: Salvador: GIPE-CIT, 2000.
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AGORA VOCÊ OUVIRÁ!
AGORA VOCÊ OUVIRÁ!
AGORA VOCÊ OUVIRÁ!
Por Henrique Saidel
Adentrando o mundo das telecomunicações, a Companhia Silenciosa apresenta, in loco, “Agora Você Ouvirá!”. Espetáculo da palavra, no qual apenas uma atriz e um espectador se comunicam por vez. De 22 a 25 de março, não vá ao teatro, vá ao telefone e disque (41)322-3080 ou (41)323-2727. Do meio-dia às 15 horas, 10 minutos por ligação. Disque teatro e ouça com atenção. A ligação não é gratuita.
UM – Generalidades
Comunicar. Desejo e necessidade básica da vida em sociedade. Transmissão de idéias, pensamentos, emoções. Contato, ponto de encontro, sinapse. Expandir os limites do pensamento, lançando-o adiante, adiante de si, em direção do outro. Compreensão, auto-compreensão, mão dupla. Alienar-se no curso fluído da linguagem, correnteza, meio de transporte, o que sai daqui, o que chega lá. Equívocos, incompreensões, interpretações. O que sai daqui, o que chega lá. A normatização da linguagem, a convenção que permite o entendimento, parco entendimento, limitação. O pensamento, que se pretende transmitido, é gerado e modelado tolhido pelas perniciosas cercas da convenção. A oferta escrava da demanda. O pensamento desinteressado, potente, vivo, avassalador é suprimido, comprimido e extrusado sob a forma de linguagem, as arestas ignoradas. A palavra. Que se impõe como meio de transporte par excellence do pensamento e da emoção. Perversa, principal responsável pela comunicação, pela propagação das idéias, pelos contatos sinapses, principal responsável pelo adestramento corrupção do pensamento emoção. O meio de transporte torna-se o próprio transportado. A palavra é a palavra. A palavra traz a palavra. A comunicação é a palavra. Preponderante hegemônico veículo a palavra se dá enquanto idéia. A palavra se dá em poesia. A incapacidade de vazar todos os sentidos transforma-se em beleza, em dinâmica, em vida. Vida enclausurada, mas vida. E ao conferir ao indizível a qualidade de indizível, realça-lhe a força, a negação agiganta o negado. O indizível surge, ressurge, incomensurável real. Graças à palavra. Tensão, fricção, eletricidade, pólos opostos da pilha. A comunicação acende-se na palavra e no indizível, mão dupla sem sinalização não se pode reduzir a velocidade.
Teatro. Ator texto espectador. Um espaço uma presença duas presenças comunicação. Um faz outro vê, outro faz um vê. Ver o que acontece no espaço, ver-se no espaço. Ser o espaço. O espaço é veículo do transporte entre. O que vê e o que faz, o espaço é o transportado. Texto não é só palavra é espaço. A palavra é o espaço. Espaço é uma palavra. Conflito, onde se dá o embate dizível e não dizível, onde se estabelece a comunicação. O espaço limita as idéias emoções ações, a palavra limita as idéias emoções ações, as idéias emoções ações delimitadas são propagadas. As idéias emoções ações sobrevivem em poesia. O conflito, o confronto é a poesia do teatro. O teatro é a poesia do confronto, real indizível. Emergido da palavra e de outras e tantas convenções da linguagem. Caótico, poético, dinâmico, vivo. O espaço não é físico o espaço é cênico. O que liga o um ao outro não importa fixamente, o que liga é o confronto. A presença é denunciada pelo indizível, pelo real. O ver, o escutar, o ver-se, o escutar-se. O teatro é o meio de transporte que comunica, o teatro é o comunicado.
DOIS – Especificidades
Comunicação. Teatro. A Companhia Silenciosa oferece ao público o espetáculo Agora Você Ouvirá!, com encenação de Henrique Saidel. Espetáculo da palavra, pura e simples, se é que é possível que a palavra seja pura e simples. O texto falado em seu sentido mais amplo estabelece-se comunicação. O texto palavra direta secreta íntima intima. Um único atuante, palavras únicas, a voz como corpo carne. Um único espectador, ouvidos únicos, a voz como carne crua. O contato, a sinapse em Agora Você Ouvirá! se dá entre uma atriz e um espectador por vez, sessão máxima de 10 minutos. A ligação é pessoal, individual mas não direta. Há um intermediário, uma rede de intermediários. Que permitem facilitam expandem porém seqüestram virtualizam descarnam a comunicação. Telefone. Telecomunicação. O affair entre atuante e espectador se dá via telefone. O público não vai a um teatro ou outro local específico, o público recebe um número de telefone para o qual disca. O espaço não é físico o espaço é cênico. O confronto se estabelece dentro do cabo que liga um aparelho ao outro. A pergunta: onde está a presença física do atuante? A resposta: na outra ponta da linha. A voz como corpo carne, a respiração, os sons, as palavras. Dizível e indizível. 10 minutos de contato direto indireto. A sós. Os textos, ensaiados e não, pré-escritos e não. Sim à poesia da palavra sim à palavra poesia. A pergunta: um elenco de quatro se só uma por vez? A resposta: cada ligação uma surpresa, cada chamada uma atriz um instante, serviço telefônico. Disque teatro. A ligação não é gratuita. O espectador dá o primeiro passo, o dedo no discador, ativo, atuante, confrontante. A atriz recebe o telefonema, alô, passiva na obrigação da ação, dialética de atuação. A pergunta:
É só isso? A resposta: não. Agora Você Ouvirá! oferece uma segunda versão de seus atos. A visão. O número divulgado é o número do telefone público também revelado ao espectador. Não contente em telefonar em participar ativamente, o público vê as atrizes ao aparelho, visão por detrás, making of. Maquiagem, figurino, cenário. Para não contrariar, para enriquecer, para provocar a. A pergunta: e se todos só verem e não telefonarem? A resposta: azar, mas todos serão avisados incitados a. Agora.
Comunicar. Desejo e necessidade básica da vida em sociedade. Transmissão de idéias, pensamentos, emoções. Contato, ponto de encontro, sinapse. Expandir os limites do pensamento, lançando-o adiante, adiante de si, em direção do outro. Compreensão, auto-compreensão, mão dupla. Alienar-se no curso fluído da linguagem, correnteza, meio de transporte, o que sai daqui, o que chega lá. Equívocos, incompreensões, interpretações. O que sai daqui, o que chega lá. A normatização da linguagem, a convenção que permite o entendimento, parco entendimento, limitação. O pensamento, que se pretende transmitido, é gerado e modelado tolhido pelas perniciosas cercas da convenção. A oferta escrava da demanda. O pensamento desinteressado, potente, vivo, avassalador é suprimido, comprimido e extrusado sob a forma de linguagem, as arestas ignoradas. A palavra. Que se impõe como meio de transporte par excellence do pensamento e da emoção. Perversa, principal responsável pela comunicação, pela propagação das idéias, pelos contatos sinapses, principal responsável pelo adestramento corrupção do pensamento emoção. O meio de transporte torna-se o próprio transportado. A palavra é a palavra. A palavra traz a palavra. A comunicação é a palavra. Preponderante hegemônico veículo a palavra se dá enquanto idéia. A palavra se dá em poesia. A incapacidade de vazar todos os sentidos transforma-se em beleza, em dinâmica, em vida. Vida enclausurada, mas vida. E ao conferir ao indizível a qualidade de indizível, realça-lhe a força, a negação agiganta o negado. O indizível surge, ressurge, incomensurável real. Graças à palavra. Tensão, fricção, eletricidade, pólos opostos da pilha. A comunicação acende-se na palavra e no indizível, mão dupla sem sinalização não se pode reduzir a velocidade.
Teatro. Ator texto espectador. Um espaço uma presença duas presenças comunicação. Um faz outro vê, outro faz um vê. Ver o que acontece no espaço, ver-se no espaço. Ser o espaço. O espaço é veículo do transporte entre. O que vê e o que faz, o espaço é o transportado. Texto não é só palavra é espaço. A palavra é o espaço. Espaço é uma palavra. Conflito, onde se dá o embate dizível e não dizível, onde se estabelece a comunicação. O espaço limita as idéias emoções ações, a palavra limita as idéias emoções ações, as idéias emoções ações delimitadas são propagadas. As idéias emoções ações sobrevivem em poesia. O conflito, o confronto é a poesia do teatro. O teatro é a poesia do confronto, real indizível. Emergido da palavra e de outras e tantas convenções da linguagem. Caótico, poético, dinâmico, vivo. O espaço não é físico o espaço é cênico. O que liga o um ao outro não importa fixamente, o que liga é o confronto. A presença é denunciada pelo indizível, pelo real. O ver, o escutar, o ver-se, o escutar-se. O teatro é o meio de transporte que comunica, o teatro é o comunicado.
DOIS – Especificidades
Comunicação. Teatro. A Companhia Silenciosa oferece ao público o espetáculo Agora Você Ouvirá!, com encenação de Henrique Saidel. Espetáculo da palavra, pura e simples, se é que é possível que a palavra seja pura e simples. O texto falado em seu sentido mais amplo estabelece-se comunicação. O texto palavra direta secreta íntima intima. Um único atuante, palavras únicas, a voz como corpo carne. Um único espectador, ouvidos únicos, a voz como carne crua. O contato, a sinapse em Agora Você Ouvirá! se dá entre uma atriz e um espectador por vez, sessão máxima de 10 minutos. A ligação é pessoal, individual mas não direta. Há um intermediário, uma rede de intermediários. Que permitem facilitam expandem porém seqüestram virtualizam descarnam a comunicação. Telefone. Telecomunicação. O affair entre atuante e espectador se dá via telefone. O público não vai a um teatro ou outro local específico, o público recebe um número de telefone para o qual disca. O espaço não é físico o espaço é cênico. O confronto se estabelece dentro do cabo que liga um aparelho ao outro. A pergunta: onde está a presença física do atuante? A resposta: na outra ponta da linha. A voz como corpo carne, a respiração, os sons, as palavras. Dizível e indizível. 10 minutos de contato direto indireto. A sós. Os textos, ensaiados e não, pré-escritos e não. Sim à poesia da palavra sim à palavra poesia. A pergunta: um elenco de quatro se só uma por vez? A resposta: cada ligação uma surpresa, cada chamada uma atriz um instante, serviço telefônico. Disque teatro. A ligação não é gratuita. O espectador dá o primeiro passo, o dedo no discador, ativo, atuante, confrontante. A atriz recebe o telefonema, alô, passiva na obrigação da ação, dialética de atuação. A pergunta:
É só isso? A resposta: não. Agora Você Ouvirá! oferece uma segunda versão de seus atos. A visão. O número divulgado é o número do telefone público também revelado ao espectador. Não contente em telefonar em participar ativamente, o público vê as atrizes ao aparelho, visão por detrás, making of. Maquiagem, figurino, cenário. Para não contrariar, para enriquecer, para provocar a. A pergunta: e se todos só verem e não telefonarem? A resposta: azar, mas todos serão avisados incitados a. Agora.
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