
Continue lendo...


Por Angelo Cruz

Antes de tudo é necessário colocar às claras o termo “direção de movimento”, muitas vezes confundido com preparação corporal ou coreografia, que são categorias diferentes. Na proposta que coloco aqui, a função do diretor de movimento é trabalhar suas inserções a partir do corpo dos atores e atrizes, de seu gestual e movimentos. A estrutura de marcação cênica e quaisquer escolhas de ocupação espacial feitas pelo encenador não serão alteradas a partir do meu trabalho (a não ser que esta seja uma escolha deste). O que faço é trabalhar conceitualmente a ocupação dessa estrutura pelos corpos presentes em cena. O trabalho a partir do corpo e para o corpo em cena é um trabalho em si só e não pretende apenas ilustrar um sistema de ações e marcações teatrais. A partir deste entendimento podemos então esboçar uma proposta para Jesus vem de Hannover.
O conceito de corpo
Em meus estudos tenho procurado definir, em primeiro lugar, um conceito de corpo ao qual estou aplicando as inserções, mesmo porque, esse é o primeiro passo para que este corpo exista. Lançando mão do neologismo, estudo novo da linguagem e como as associações cognitivas acontecem na rede mnemônica do indivíduo, e de conceitos proeminentes da física quântica que definem matéria como uma quantidade muito condensada de energia, surge para mim uma nova idéia do que pode ser o corpo. O movimento e o gestual são ações do corpo em relação ao espaço-tempo. Então, estão diretamente ligados à percepção que o indivíduo tem desse espaço-tempo, passando primeiro pela sua cognição e depois pela sua própria definição de realidade, ou de como foi educado para pensar este conceito. Para mim, aquilo que chamo de corpo expandido, é o conjunto das percepções espaço-temporais do indivíduo e de sua potencialidade interventora no ambiente. Isso engloba o corpo conhecido como material, com certeza, mas, sobretudo, o corpo intencional do pensamento, ou seja, o corpo que o indivíduo pretende ser e, portanto, é. Trabalhar o pensamento e a matéria que compõe nossos corpos para que se construam ações espaço-temporais mais complexas é minha proposta de presença cênica em Jesus.
Jesus vem de Hannover oferece corpos treinados por técnicas de Krav Magá, Ninjitsu e Aikidô, calibrados pelo sistema Body Pump (qualidade garantida Body Systems corporation – marca registrada – o melhor resultado no menor intervalo de tempo) e com muito mais espaço interno que os similares do mercado. Esses corpos não possuem apenas boa performance: estão prontos para matar. Corpos vigorosos, atléticos e inflamáveis, com precisão e viscosidade nos movimentos cilíndricos e espirais. Movidos a álcool e/ou gás natural, eles rendem mais em empreitadas longas, aderem nas curvas e obedecem a comandos de voz em 34 idiomas (observar legendas por região). Com excelente articulação mandibular, estão aptos a discutir desde questões simples do dia a dia até sistemas matemáticos complexos e análise lingüística avançada. Altamente tropicais, suportam temperaturas elevadas e situações adversas de respiração e pronúncia verbal projetada, eliminando nesse processo apenas gás carbônico e água. O painel é arrojado e sensível ao toque muito leve, porém resistente ao vigor do toque viril, comportando-se bem na presença de espadas (verificar modelo). Bem apresentáveis em penteados modernos, esses corpos farão do seu entretenimento uma arte! A quantidade de pêlos é opcional.

...
texto de marius von mayenburg
encenação de henrique saidel
teatro josé maria santos
teatro josé maria santos
teatro josé maria santos
(rua 13 de maio, pertinho do largo da ordem)
dia 25/11 domingo
dia 25/11 domingo
dia 25/11 domingo
11h00
11h00
11h00
!ENTRADA FRANCA!
Apareçam!!!

Quando: 18/11/2007 (dom) às 19h.





06 a 16 de setembro
quinta a domingo 20h00
teatro cleon jacques
(parque são lourenço)
ingresso: 01kg de alimento não -perecível



A Companhia Silenciosa foi fundada em início de 2002 por Giorgia Conceição, Henrique Saidel e Léo Glück – três artistas com influências distintas e um interesse comum: criar um ambiente de pesquisa e produção artística do sul do Brasil, a partir de um claro projeto de continuidade de sua linguagem. Desenvolve-se a partir de vertentes que problematizam fisicalidade e virtualidade, visualidade e relação entre arte e espectador, criação de ficções e fruições, estudo de linguagem e estruturações dramatúrgicas alternativas, bem como relativiza tópicos recorrentes como relações de poder, zonas autônomas - temporárias ou não -, gênero, sexualidade, artificialidade, robótica e futuro. Destaca-se, também, no trabalho da Companhia Silenciosa, o intenso flerte com linguagens artísticas e outras mídias como artes visuais e cibernéticas, literatura, performance art, dança, vídeo e música.
©Template by [ Ferramentas Blog ].